sábado, 23 de março de 2013

De onde vem a mudança?


Nunca entrei em uma sala de aula no papel de quem educa. Estando do lado oposto, como aluno, sei bem como um estudante do Ensino Fundamental vê um professor. Ele é parte de um todo que não nos agrada. Muitos, inclusive, não nos deixam marcas muito boas. Professores são como soldados defendendo um conjunto de regras que vão contra a nossa vontade naquele momento. Mas aí a gente cresce e vê o mundo de outra forma.
Ao crescer, a visão que tenho do professor é de um trabalhador como outro qualquer. Com exceção, é claro, do salário. Para poder ter um salário próximo ao de uma pessoa com curso superior em outra área, o professor tem que trabalhar muito mais. Mas por que não temos força pra mudar isso?
Infelizmente, boa parte dos próprios professores não estão dispostos a mudanças. Incluem-se aqui, também, alguns estudantes, futuros professores. Existe um discurso que foi “plantado” na nossa cultura e que vem, cada vez mais, calando a vontade de quem é a favor de mudanças. É o discurso do “você não vai mudar o mundo”. Habituou-se ridicularizar ações que não são bem-vindas pelos políticos ou pelos meios de comunicação que mandam no país. Até mesmo os maiores interessados em mudanças divulgam tal discurso, sem perceber que estão indo contra suas próprias vontades.
A população do nosso país cai facilmente nas desculpas dos políticos e dos economistas de que não existe dinheiro no país para pagar melhor os professores, como se não vissem, com frequência, o aumento que os políticos dão a eles mesmos! Acredita-se fácil demais nas propagandas veiculadas pelos canais de rádio e TV. Sempre que acontece algum escândalo envolvendo a educação no Brasil, lá está uma propaganda falando bem dos professores e da educação. É como se isso pudesse sensibilizá-los e fazê-los dizer “olha como todos nos veem com bons olhos e com gratidão” e, dessa forma, pudesse calá-los. E cala! Imagina se seu patrão, no final do mês, ao invés de te pagar, fizesse a você um elogio? Você chegaria depois na padaria e daria um elogio em troca de pão? Infelizmente, o ser humano não se sustenta com elogios. Pelo menos, não fisicamente!
Só os maiores interessados nas mudanças podem tentar fazê-la. Não vai partir do governo, de graça e na maior boa vontade, uma maior valorização dos professores. Só quem sabe o que tem e teve que enfrentar diariamente, sabendo o quanto é difícil “domar” pessoas em fase de crescimento, sabendo das dificuldades de lidar com seres humanos no dia-a-dia, sejam eles pais, alunos, orientadores e regras de outros que estão acima hierarquicamente, pode ter a iniciativa de tentar mudar. Se, tentando, a mudança é quase uma visão puramente idealista, imagina, então, só ficar no discurso! Como nada está tão ruim que não possa piorar, há pessoas que não gostam nem do discurso e ajudam a sustentar a vontade de quem está no poder!

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