sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sobre hélices e Edgar Allan Poe

Eu abomino admiradores de fórmulas prontas. Falam bonito e não dizem nada. São admirados porque não são compreendidos. Mas soam bonito! De certa forma, é uma fuga. Escrever o que ninguém entende de forma bonita e com completa ausência de semântica é, pra mim, ter medo de dar a cara a tapa, pois é preciso coragem pra expressar o que incomoda a todos.  Faz-se, com isso, muitos inimigos e a propriedade da razão é atestada àqueles com maior número de amigos. É proibido, hoje, "desconstruir". Pra "desafinar o coro dos contentes", só sendo poeta e, de preferência, morto! Subversão é coisa pra artista crescido no Rio de Janeiro do século XX e filho de gente "influente". Atitude é comportamento de filhinho de papai que bebe Heineken e Jack Daniel's calçando Vans. Afinal, ser rock'n'roll custa caro! Mas um All-Star já serve.

Somos livres pra dizer o que pensamos, sentimos e interpretamos, mesmo opiniões pessimistas, desde que seja assinado por Clarice, Fernando Pessoa, Bukowski... o importante é fechar os olhos, suspirar e deixar fruir (com "r" mesmo). Tá entendendo o que eu quero dizer? É tudo sobre hélices e Edgar Allan Poe! As coisas são porque são. Você não precisa entender, entende? Quanto menos você entender, mais culto eu pareço, não é mesmo? Ou louco! Mas um louco consciente (ops! Autor errado!)! Ou não...afinal, ele morreu!

É tudo sobre "sofrer feliz"! Uma coisa, assim... Djavan! Leminski! Ou desconstrução canônica! Expressão que exige autorização, estruturas prontas fingindo que não.

Quem sabe...se
eu escrever
assim. Será que você
me entende?

Não? Tente ler de novo, mas dessa vez, suspirando! Quem sabe você sente... e a coisa toda faz sentido. Não é assim que funciona? Não esqueça de fechar os olhos e da entonação. Não sei como faz isso! É você quem sabe.
Não? Cara, como você é burro! Ou não! Procure saber...

Pensar por mim mesmo? Não sei fazer isso. Só se for confortante. Se doer, é mentira! Só dói sendo verdade se tiver assinatura reconhecida em cânone. Assim que aprendi. Porque, você sabe... eu não quero ser o chato que se preocupa com coisa séria quando todo mundo tá preparando uma festa. Só se a chatice tiver citação canônica! Aí pode!

E se eu colocar, aqui, uma foto de pôr do sol? Ou de pés descalços na areia da praia...será que, assim, tenho "permissão" pra ser pessimista sem estragar a festa? Porque, você sabe... eu não quero invadir o espaço do outro. Eu deveria ser budista, ter um quadro do Ganesha, ou qualquer outro tipo de símbolo zen, e um comportamento passivo diante das opressões institucionalizadas...  porque, como você me ensinou, o que eu falo não deve ser dito na sua presença. Tem que ser depois... em outro lugar... em particular com quem eu quero falar. Se for aqui, incomoda, entende? Sinto muito. É que não fui instituído! Vindo de mim, não há "karma" que justifique! É agressivo!

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