terça-feira, 5 de outubro de 2010

O valor que damos às coisas e às pessoas (ou não)

Hoje eu estava pensando sobre aqueles raros momentos na nossa vida em que nos sentimos útil pra alguém, a ponto de recebermos algum tipo de retribuição por isso.

Não me recordo de muitos casos desses na minha vida, porque aconteceram poucos mesmo. Mas acho que isso pode explicar uma ideia que eu tenho de que, quando se desprende de algumas crenças que prometem uma vida melhor depois da morte, a gente passa a ser mais humano. Antes eu acreditava que ser bom me levaria para algum lugar depois desta vida, e isso me confortava. Hoje, que não acredito mais nisso, às vezes fico pensando "afinal, vou passar um tempo aqui e depois acabou?"... dá uma sensação ruim pensar isso, mas, ainda assim, é nisso que acredito hoje.
E, talvez por isso, eu comecei a achar graça em coisas que antes passavam despercebidas, como quando eu me sinto bem por ter podido ajudar alguém.

Então, me lembrei de uma história que me aconteceu quando eu trabalhava com celulares. Celular, hoje em dia, é quase que uma parte da vida da pessoa. Se a pessoa perder determinado tipo de dados no seu aparelho, provavelmente aquilo vai causar algum tipo de mal-estar para ela.
E era engraçado como eu me sentia às vezes com uma responsabilidade tão grande nas mãos por estar mexendo com uma coisa tão simples...uma coisa material. Mas isso se deve ao valor que damos a esses aparelhos eletrônicos - valor até justificável muitas vezes. Lembro que eu pensava "já pensou se eu fosse um médico tentando salvar uma vida? Eu não teria estrutura para isso" - e não teria mesmo.

Mas, num certo dia, chegou um rapaz lá na loja com um aparelho que estava com um problema que eu não me lembro qual era, e ele estava precisando muito resolver aquele problema naquele momento. Então, eu fiz o que tinha que ser feito no aparelho dele, e era algo tão simples que, naqueles casos, nós não cobrávamos por aquilo. Era como tirar o código de segurança padrão do celular dele...desabilitá-lo. E eu fiz aquilo ali na hora pra ele, não fiz como outros técnicos fazem (fingem que é algo mais sério e cobram o serviço).

Terminado o que tinha que ser feito, ele quis me pagar de qualquer forma. Me elogiou, e insistiu em me pagar! E eu tive que receber a "gorjeta", porque ele não parava de insistir. Eu ainda queria lembrar quem era a pessoa, porque era alguém que eu não conhecia. E eu ainda queria retribuir essa boa ação, por causa da raridade com que isso acontece.

Foi um dia como poucos na minha vida, em que eu me senti útil e valorizado, não só financeiramente, mas como ser humano. Porque a maioria das pessoas que me elogiaram quando eu trabalhava nesta loja, direcionaram o elogio à minha paciência e educação com elas (coisas que eu sempre tive com as pessoas e, quase sempre, só recebi o inverso). E é importante dizer que, nessa época, eu estava explodindo por dentro, de rancor, de decepção pelo mundo e pelo que este "mundo" me prometeu e não cumpriu.

Foi num mundo de gentilezas assim que eu fui educado a acreditar, por isso tive a grande decepção ao ver que aquilo era apenas um mundo idealizado por todos e não praticado por ninguém. Neste tipo de acontecimento, a vida cala a minha boca! São casos raros, mas é muito bom sentir a vida calando a minha boca! É muito melhor que me calem por eu ser um realista, do que tomar tapas na cara por ser um inocente otimista.

5 comentários:

  1. Tem coisas que nem o Sigismund, Sig, para os íntimos, explica! Afinal, eu até hoje não faço a mínima ideiacomacento do porquê de eu dar tanta importância à paçoquinha!!!
    Sério! Acho que todo estabelecimento deveria ser obrigado a vender essas paçoquinhas! Mas eu juro que não entendo essas coisas...

    Só queria uma paçoquinha nesse momento...

    =/

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  2. paçoquinha é bom mesmo. "ideiacomacento" foi boa... haha

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  3. O valor nunca esta nas coisas meu caro, mais no que essas coisas podem fazer por você. As vezes sou grato a internet(que deveria ser uma coisa "ruim) por ela ter me trazido excelentes pessoas e sou ingrato pelos livros(deveriam ser otimas coisas) por elas te manterem longe delas pessoas (ninguem consegue ler livro com alguem te enchendo.

    xD

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  4. pois é, DG! Coisas aqui está mais para "acontecimentos". Mas pode ser literal mesmo.

    Mas você sabe, pois já comentei muito sobre isso com você, que meu maior desgosto é pelas PESSOAS mesmo. Valorizo demais as pessoas. Ao mesmo tempo que tenho um ódio geral pelo ser humano, não consigo ser desagradável com alguém que não me fez nada. Pelo contrário. Mal consigo cumprimentar alguém sem "abrir a cara" (apesar de que já estou conseguindo mudar isso), tamanha necessidade que tenho de ser GENTIL com quem conheço. E isso é ruim pra mim. Do nada as pessoas me fazem merda e eu tomo um susto. É claro que, nesses casos, eu passo a agir da pior maneira com a pessoa. Costumo falar que sou um espelho: bateu, volta na mesma proporção ou pior.

    E concordo, DG, sobre a internet e os livros. Mas eles são as "coisas", ou seja, são inanimados. Voltando às pessoas, essas sim, têm o poder de escolher fazer coisas boas ou ruins e, normalmente, optam pela segunda opção, porque alimenta o EGO! Por isso quis fazer esse texto pra citar momentos na vida em que pessoas são legais, são humanas...coisa muito rara.

    Abraço!

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